por Luiz Felipe Almeida
O Novo Ensino Médio, criado pelo Governo Federal em 2017, implementado em 2022 e estabelecido oficialmente em 2024, pela Lei n.º 14.945/2024, foi uma política pensada para modificar o currículo do ensino médio, a fim de diminuir os números de evasão escolar e incentivar a formação acadêmica de jovens entre 15 a 18 anos.
Com projetos que focam numa formação que os prepara para a faculdade ou trabalhos formais de forma imediata e ajudam a aumentar os níveis de alfabetização no país — algo que, na prática, deveria ser benéfico para muitos estudantes e movimentar a economia, fazendo com que saíssemos dos altos índices de analfabetismo e auxiliando na formação de futuros advogados, professores e profissionais das mais variadas áreas, certo? Mas essa ideia só é boa na teoria.
Na prática, um dos problemas que o Novo Ensino Médio enfrenta é a falta de profissionais qualificados para aplicar de forma eficaz o conteúdo que é proposto, tendo em consideração que a grade curricular é o maior problema apontado na idealização e criação desse material formativo.
Desconsidera-se que, muitas vezes, falta à escola em que a política será aplicada o material didático para explicar as matérias ofertadas, o uso de novas metodologias, professores com formação acadêmica adequada para o ensino da grade proposta e recursos necessários para as aulas. Esses fatores levam à contratação de profissionais despreparados, ao desinteresse de alguns estudantes e à falta de investimentos nas instituições de ensino onde a política será implementada — algo que fica evidente pela falta de participação daqueles que mais deveriam se beneficiar com isso: os estudantes do ensino médio. Essa é uma questão que traz à tona seus principais problemas curriculares.
Outro fator que torna o Novo Ensino Médio algo problemático é a exclusão de certas matérias da grade curricular, pelo simples fato de “poder escolher seu itinerário formativo” — algo evidenciado por alguns docentes na matéria Novo Ensino Médio e as principais dificuldades, benefícios e perspectivas percebidas por docentes, do site SciELO em Perspectiva: Humanas, no trecho a seguir:
“Para alguns professores, o Novo Ensino Médio poderá impactar de forma negativa a qualidade dos cursos técnicos e o perfil dos profissionais a serem formados, tendo em vista a falta de entendimento, preparação e adesão efetiva dos professores e dos alunos à reforma; a redução da carga horária de algumas disciplinas e do esvaziamento dos currículos escolares, que irão precarizar a formação discente; a falta de estrutura física da Fundação para suportar o Novo Ensino Médio; o agravamento de desigualdades sociais já existentes entre alunos de escolas públicas e privadas; a falta de consulta pública e da participação dos professores no processo de elaboração e implementação da reforma; e uma formação focada, principalmente, na inserção dos jovens no mercado de trabalho.”
Isso evidencia a questão do problema da formação docente no Novo Ensino Médio como uma questão principal a ser discutida com urgência.
Retorno à questão de que o estudante do ensino médio — aquele que deveria se apropriar da grade curricular do Novo Ensino Médio — não consegue ter suas necessidades atendidas pelo projeto, conforme o trecho a seguir:
“Foi visto também que para muitos professores a reforma possui problemas de legitimidade, uma vez que os respondentes vislumbram a necessidade de mudanças para a melhoria da educação, mas discordam do modo como a reforma foi elaborada e implementada, sem ser amplamente debatida pela comunidade escolar e sem contribuições mediante consulta pública. Nesse contexto, alguns professores indicam que o Novo Ensino Médio reflete determinações mais amplas da sociedade, servindo aos interesses capitalistas e não aos dos jovens brasileiros e suas particularidades, acentuando as desigualdades existentes entre alunos de escolas públicas e privadas.”
Isso evidencia que faltou a opinião do corpo discente na formação e criação desse novo modelo de Ensino Médio — uma questão que precisa ser resolvida imediatamente.
Na matéria Alunos da rede pública apontam falhas no ‘Novo Ensino Médio’ que ampliam desigualdades no PR, da Brasil de Fato (2023), alguns estudantes paranaenses entrevistados relataram que o Novo Ensino Médio enfrenta o problema de ser incoerente com o que de fato propõe e de apresentar matérias desconexas com a realidade de muitos estudantes.
Essas matérias, como o projeto de vida, foram criticadas por Alice Ernsen Geremias Alves, de 16 anos, que compartilhou suas preocupações em relação às mudanças na nova proposta curricular e mencionou que algumas disciplinas parecem incoerentes:
“Existem matérias que não fazem sentido. Por exemplo, uma disciplina chamada projeto de vida, que não imagino utilizando no futuro. A sensação que tenho é que estamos em uma aula de coaching motivacional. E, por outro lado, não teremos aulas de Física, que considero muito importantes,” afirmou Alice.
O Novo Ensino Médio tem seus benefícios, mas a forma pela qual é aplicado não cumpre com os objetivos dos estudantes que estão a cursá-lo e enfrenta desafios na prática.
Partindo desse princípio, entende-se que ele atrapalha os estudantes mais do que ajuda na sua formação acadêmica, mostrando que suas ideias são, em certos pontos, pertinentes e os questionamentos necessários — mas observa-se que foi mal estruturado.
