Meridiana: o novo romance de Eliana Alves Cruz

Por Ian Victor Reis

Neste mês de outubro, a literatura brasileira comemora o lançamento de “Meridiana”, o mais novo romance de Eliana Alves Cruz. A autora, já reconhecida como figura central nos estudos acadêmicos com seu livro “Nada digo de ti que em ti não veja”, também é uma das vozes mais fortes da literatura afro-brasileira contemporânea usa sua nova obra para analisar sobre uma perspectiva atual, as dificuldades da ascensão social de famílias negras seja elas no Distrito Federal ou no Brasil.

No Livro Meridiana, Eliana deixa de lado o contexto colonial da sua obra anterior e encaixa a história em um Brasil urbano e desigual, onde o desenvolvimento econômico e o acesso à educação nem sempre se dá em uma real independência. O livro mostra personagens que, mesmo tendo alcançado uma posição social melhor, ainda lidam com as marcas invisíveis da exclusão e discriminação, revivendo a opressão que suas antepassadas sofreram séculos antes. 

“A história do Brasil é marcada por exclusão e resistência.”  Em entrevistas recentes, Eliana Alves Cruz tem defendido que a literatura pode imaginar um futuro para o Brasil e recuperar memórias que ajudam a explicar o presente. Meridiana, foi lançado pela Companhia das Letras em 14 de outubro de 2025, chegou às livrarias e foi debatido em Brasília no projeto “Sempre um Papo”, realizado no Teatro da CAIXA Cultural Brasília no dia seguinte.

A autora nascida no Rio de Janeiro construiu uma carreira sólida como jornalista e escritora, viajando muito bem entre o passado e o presente. Seu primeiro romance, Água de Barrela (2016), ganhou o Prêmio Oliveira Silveira e também tem sua marca registrada: a “escrevivência”, ideia que foi dedicada por Conceição Evaristo (autora de obras como “Becos da Memória”) define a escrita a partir da experiência e da resistência negras. E que Eliana aumenta ao conectar passado e presente por meio de vozes negras variadas e profundamente humanas. 

Com a obra Solitária (2022), ela mostrou a importância da empatia e da escuta ao retratar a solidão das mulheres negras nas grandes cidades brasileiras. E em “Nada digo de ti que em ti não veja” (2024) a autora explorava a sociedade escravocrata do século 18 e as contradições da elite branca colonial. Em Meridiana, ela faz uma análise do reflexo atual dessa desigualdade, só que agora cheio de discursos sobre meritocracia pela falsa sensação de algum progresso. Suas histórias demonstram que as marcas do passado ainda estão presentes, mas também se curam por meio da palavra.

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