Por Ângelo Victor dos Santos Souza
O verso “Ninguém diz ‘Eu Te Amo’ como eu”, interpretada por Gal Costa (Silva e Omar Salomão), canção de 2018, tocou profundamente um estudante do Centro Universitário do Distrito Federal (UDF).
A letra marcada pelo sofrimento e sentimentalismo do eu lírico, remete diretamente ao Romantismo literário. O interesse do discente foi ampliado pela ligação familiar de Omar Salomão, neto de Waly Salomão, poeta central da Contracultura brasileira.
Inspirado pela intertextualidade entre a canção e o ideal romântico, o estudante compôs um poema autoral (apresentado abaixo).
A obra nos mostra características da escola literária Romantismo: o sentimentalismo exacerbado, o sofrimento amoroso e a incerteza, provando que o Romantismo segue vivo na poesia contemporânea.
Escutei na voz de Gal algo que me arrepia.
Será que te causa dor saber que:
Ninguém diz “eu te amo” como eu
Ou será que só te agonia?
Se fomos tão felizes,
por que hoje já não somos?
Será que se eu vasculhar
Ainda te acho nos escombros?
Mas entre nós,
Se ninguém diz “eu te amo” como eu,
O que te prende nesse outrem
Que não nos deixa aqui a sós?
Eu pedi para guardar um pedaço de mim,
Pensei que ia querer um fio de cabelo,
Não achei que ia pegar o coração.
Não sigo mapas,
Não realizo desejos,
Não sei ser metade,
mas me encaixo bem na sua.
E ainda que a luz se apague,
E ainda que nada mais tu veja,
Segure a minha mão.
E quando a luz voltar,
você ainda vai confiar em mim?
Eu não consigo guardar um pedaço seu,
Tudo que senti foi tão forte,
Que te fiz metade de mim.
Você diz para eu não falar de amor,
Mas não me ensina a não falar em você.
Então devia eu tirar seu nome
do meu vocabulário?
Minha pele ainda sente teu toque.
Espero que não me bote
Em um canto qualquer de ti.
Sei que poucos versos são precisos,
Quero o brilho dos teus olhos em mim.
E espero que não se esqueça,
Que more em tua cabeça
Ninguém diz eu te amo como eu.
