Por Herberth Matheus de Sousa Santos

Quando Miguel era aluno, nunca entendia por que cada professor ensinava de um jeito tão diferente. Para ele, bastava um método que funcionasse para todos, simples, direto e igual. Contudo, com o passar dos anos, percebeu que o ensino não cabia em moldes tão fixos.
Nas aulas da professora Ana, o inglês parecia um brinquedo: colorido, cheio de risadas e jogos. Ele aprendia sem perceber, cantando e competindo com os colegas.
Já com o professor Carlos, o ritmo era outro. Ele falava pausadamente, fazia perguntas desafiadoras e transformava cada texto em uma conversa sobre o mundo. Foi assim que Miguel entendeu que aprender uma língua também era aprender a pensar.
Depois veio a professora Júlia, que transformava tudo em histórias. Ela fazia o conteúdo virar conto, os verbos ganhavam personagens e o vocabulário, cenários. Miguel esperava ansioso por aquelas aulas, porque nelas o inglês deixava de ser uma matéria e se tornava imaginação pura.
Durante muito tempo, achou curioso como três professores de uma mesma disciplina podiam ensinar de formas tão diferentes. No início, isso o confundia, mas, aos poucos começou a enxergar um padrão invisível: cada um deles deixava um pedaço de si na forma de ensinar.
Anos depois, já estagiando, Miguel se viu diante de uma turma inquieta. Planejou uma atividade, mas ela não saiu como ele desejava. Então, sem perceber, começou a improvisar: usou o humor de Ana, a calma de Carlos e a criatividade de Júlia. E, naquele instante, entendeu.
A sala se transformou, os alunos riram, participaram e, de alguma forma, o aprendizado aconteceu. Miguel saiu de lá sem saber qual método havia funcionado, mas com a certeza de que todos, de algum modo, estavam ali.
Porque ensinar, ele descobriu, é se tornar um pouco de cada professor que nos marcou. E, quando isso acontece, deixamos de repetir o que aprendemos, passamos a reinventar.
Não esqueçam que, para além de todas as inspirações que cruzaram sua jornada, vocês também têm muito a oferecer. Coloquem-se em suas próprias aulas, deixem nelas suas marcas, suas ideias e sua forma de ver o mundo.
Não deixem apenas a voz do outro falar por vocês, sejam também a voz da mudança.
