Contraste na educação do Distrito Federal: A realidade das escolas entre o Plano Piloto e as Regiões Administrativas

Por Maria Clara Reis

Durante minha graduação, tive a oportunidade de visitar escolas diversas do Distrito Federal. A jornada me levou pelas lindas escolas do Plano Piloto, grandes e planejadas, igualzinho Brasília, mas também pelas típicas unidades de ensino das regiões administrativas, mais especificamente, em Ceilândia e Taguatinga

Minha primeira experiência no ensino público, depois da minha própria formação, ocorreu no PIBID, quando fiz parte do programa no Centro de Ensino Médio Setor Oeste, na Asa Sul. Fui tomada por uma onda de choque: uma escola pública que tinha o básico para o bem-estar dos alunos. A unidade dispunha de ventiladores, lixeiras de verdade, projetores nas salas de aula, itens que durante toda minha educação básica eu nunca cheguei a ver. Pensei por um momento que, após minha saída, havia ocorrido uma evolução geral nas escolas públicas. Contudo, no próximo ano, em 2024, voltei a frequentar a escola onde fiz o meu ensino fundamental, na minha matéria de Estágio em Português I.

Na escola, localizada na Ceilândia Sul, fui recebida com a decadência que já estava acostumada: as lixeiras eram latas de tintas utilizadas para pintar a escola anos atrás; os bueiros abertos, nos quais tropecei quando tinha 14 anos e 20 também; nenhum ventilador funcionando. A única “evolução” era um projetor que era revezado entre todos os professores. Um buraco enorme na parede da quadra, ademais, tornava o acesso de pessoas de fora para o interior da escola com enorme facilidade. Quando mais nova, pensava nessa diferença como algo óbvio. É claro que um colégio no Plano Piloto é melhor do que um colégio na Ceilândia. Eu achava que ir contra essa onda era inútil. Afinal, o que importa realmente não é a educação? A competência dos professores?

Esse pensamento, completamente sem fundamento, não se estendeu para além do primeiro dia que realizei meu estágio naquela escola. O que se estende até meu estágio atual, realizado em Taguatinga Norte, no Centro de Ensino Fundamental 12, uma escola militarizada, é a discussão sobre como uma escola com condições mais humanas torna a educação mais eficaz. Existe uma diferença enorme em aprender numa sala de aula em agosto no DF com um ventilador, janelas grandes, recursos novos, sem a preocupação de prender seu pé no bueiro da escola, sem a preocupação das paredes caindo no muro dos fundos e da invasão de terceiros dentro da sua escola.

Minha experiência com essas duas escolas foi indispensável para minha formação como uma professora mais humana, que me enxergo nos meus alunos e entendo suas agonias, e que me revolto com a diferença dolorosa dentro de um só estado.

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