Por Maria Luiza Fernandes Frota
Obras e Autores em Foco
O Realismo, movimento que floresceu em Portugal a partir de 1865 com a efervescência da Questão Coimbrã, surge como uma resposta vigorosa ao subjetivismo e à idealização romântica. Buscando uma representação mais objetiva e crítica da sociedade, essa corrente literária alinhou-se ao espírito científico e às novas doutrinas filosóficas do século XIX, como o Positivismo e o Evolucionismo.
Para o renomado crítico literário brasileiro Massaud Moisés (1928-2018), a análise do Realismo na literatura portuguesa é crucial para a compreensão das transformações culturais e sociais do período. Em suas obras de referência, como “A Literatura Portuguesa” e “Presença da Literatura Portuguesa: Romantismo – Realismo”, Moisés dedica um olhar ensaístico e histórico a essa fase, enquadrando-o como um dos grandes momentos de renovação estética.
O Que o Realismo Desvendou em Portugal? O Realismo português, impulsionado por nomes como Antero de Quental e, principalmente, Eça de Queirós, propôs um exame minucioso e, muitas vezes, satírico da sociedade.
Crítica Social Incisiva: Os autores realistas voltaram-se para a observação da vida cotidiana, do ambiente urbano e, sobretudo, para a crítica às instituições consideradas hipócritas ou decadentes, como a burguesia, a monarquia e o clero.
Objetivismo e Cientificismo: (Usar apenas inicial maiúscula para nomes próprios) romance realista abandonou a intriga romântica e o foco no entretenimento para se tornar um “instrumento de luta e de transformação da sociedade”. Havia a busca por uma análise quase científica dos costumes e dos tipos sociais, visualizando-os na perspectiva coletiva.
A Contribuição de Massaud Moisés
Ao delinear o Realismo na literatura portuguesa, Massaud Moisés não apenas cataloga autores e obras, mas também situa o movimento em seu contexto histórico-sociocultural. Sua perspectiva enfatiza:
• A Ruptura Estética: reação do Realismo ao sentimentalismo e à idealização do Romantismo.
• O Documento de Época: A obra literária como um testemunho da época, refletindo as inquietações e o desejo de modernidade da elite intelectual de Portugal.
Resumindo:
O estudo do Realismo, mediado pela vasta erudição de Massaud Moisés, é fundamental para o entendimento de como a literatura portuguesa se abriu para as questões modernas, trocando o idealismo pelo espelho, às vezes distorcido, da realidade social. O legado realista é, portanto, o de uma literatura engajada, que se propôs a diagnosticar e, de certa forma, a transformar os males de seu tempo.
