Ser ou não ser professor: eis a questão!

Por Márcia Betânia De Queiroz Farias Araújo

Quase quatro anos no curso de Letras e eu só tinha um único pensamento:

A docência não era e nunca seria minha área.

Com tudo isso, quatro estágios depois, percebi algo diferente nesta últimaexperiência de estágio na graduação. A atividade aconteceu no Centro de Ensino Fundamental 410 da Asa Norte, sob a supervisão da Professora Janaína de Morais, com as turmas do 6° e 7° ano.

Sempre olhei para as vivências proporcionadas pelo estágio com a lente da pesquisa ao invés das de docente. Meu papel era sempre o de observadora, percebendo padrões que pudessem passar despercebidos por outros. Logo, uma sala de aula se tornava um campo profícuo de investigações e suposições ao invés de algo no qual eu fosse uma das peças na engrenagem da educação. Entretanto, durante esse último estágio do curso, quando novamente no meio de uma sala de aula, estive pensando em como eu ensinaria inglês àqueles estudantes. Como eu estruturaria uma sequência didática?  Como despertaria o interesse deles pelas aulas? Talvez essa mudança de olhar  tenha ocorrido  pela idade dos alunos, curiosos, irreverentes, ou talvez por compartilharmos  alguns interesses . No entanto, suspeito que a maior responsável por isso tenha sido a Professora Janaína, que parecia um reflexo vivo  da teoria de meus professores da faculdade.

 A Professora Janaína implementou diversas estratégias  para a realidade dos alunos  que parecia impossível de ser feito: ensinar inglês em uma  escola pública. Por exemplo, a estrutura da sala de aula não oferecia condições ideais para o aprendizado, mas com a criatividade  os alunos foram levados a níveis de aprendizagem que talvez  não  alcançariam caso a professora tivesse se intimidado pelas condições do ambiente.  

Diante de tudo isso e profundamente influenciada por essa experiência, pensei que talvez eu pudesse também assumir o papel de professora em algum momento da minha carreira.

Toda essa experiência associada ao conhecimento aprendido dentro e fora da  universidade permitiu que uma identidade docente que estava dormente começasse a  emergir. Ainda não me sinto totalmente confortável com a ideia de estar em sala de aula, mas após ter conhecido um lado da docência com o qual eu não estava familiarizada, percebo que poderia me aventurar por ambientes desafiadores como esses. 

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