O que a geração atual ainda pode aprender com Machado
Separados por séculos, Machado de Assis e Camões dialogam com uma geração marcada pelo acesso à tecnologia, opiniões imediatas, cancelamentos e julgamentos. Uma geração que pode ter seu desenvolvimento emocional, pensamento crítico e social afetado pelo excesso da exposição digital.
Os dois maiores escritores da literatura portuguesa e brasileira escreveram em tempos distintos, mas abordaram temas que permanecem atuais: o amor, a vaidade, questões sociais e as contradições humanas.
Machado de Assis, um dos maiores nomes da literatura brasileira e responsável por iniciar o Realismo no Brasil com Memórias Póstumas de Brás Cubas, nos ensina, por meio de uma narrativa irônica e pessimista, como as pessoas são movidas por interesses pessoais e orgulho. A ironia e a consciência social são ferramentas poderosas para compreender a sociedade e a si mesmo, algo que parece se perder na atualidade, diante da cultura da aparência e das redes sociais.
Luís Vaz de Camões, considerado o maior autor da língua portuguesa e principal nome do Classicismo, em Os Lusíadas, Camões vai além das navegações portuguesas e aborda a ganância, corrupção, desvalorização da cultura e da arte. Questões que continuam atuais e nos levam a refletir sobre acontecimentos que atravessam gerações e ainda persistem na realidade.
Por fim, apesar das diferenças temporais, tanto Machado quanto Camões reforçam a importância da criticidade e do pensamento profundo, para que possamos formar opiniões conscientes sobre diversas pautas e nos tornemos seres em constante evolução, uma verdadeira metamorfose ambulante. Em tempos de excesso de informação e conteúdos cada vez mais rasos, suas obras seguem como convites à leitura atenta e ao verdadeiro exercício de pensar.
