De Camilo Castelo Branco a Clarice Lispector, Teresa e Macabéa são duas personagens que vivem realidades marcadas pela falta de escolha e pelo controle social sobre a mulher.
Por Cristiane Almeida Santos e Maria Eduarda Araújo Gonçalves
Camilo e Clarice, em suas respectivas obras, constroem narrativas literárias em que o feminino se torna símbolo de exclusão. Em Amor de Perdição, Teresa vai contra as normas impostas pela época, por não ceder às vontades do pai. Como consequência, ela é retirada da sociedade e reclusa no convento.
Durante esse tempo, isolada e oprimida, ela vive um grande sofrimento por não poder viver o seu grande amor. No fim, consumida pela dor, saudade e solidão, Teresa adoece e morre no convento, sem viver esse amor plenamente.
Macabéa, em A Hora da Estrela (de Lispector), é era uma jovem nordestina, pobre e ingênua que foi morar sozinha no Rio de Janeiro. Ela vivia em péssimas condições de moradia e alimentação, representada como uma mulher sem autoestima e sem consciência plena da sua própria condição de miséria.
Seu namorado a tratava com desprezo e arrogância, e no fim, a abandonou para ficar com sua colega de trabalho. Macabéa não se permite ser. Após finalmente perceber sua vida de miséria, ela sofre um acidente em que morre sozinha, lentamente, sem ajuda e com uma promessa de felicidade, que nunca se concretiza.
Camilo Castelo Branco, em Amor de Perdição, se refere à Teresa como uma mulher que ousa amar fora dos limites, um símbolo do amor romântico, de emoção pura, prisioneira da paixão e das normas sociais. Com uma diferença relevante de cem anos depois qual época você se refere? inserir ponto
Clarice Lispector faz uma alusão a Macabéa, que diferente de Teresa não sofre por amar demais, mas por nunca ter sido amada — nem mesmo por si. Falta desenvolver melhor a ideia do sofrimento de ambas personagens.
Enquanto o autor denuncia as correntes sociais do seu tempo, a autora brasileira traz a indiferença moderna que torna pessoas em sombras.
Se Teresa é o retrato da mulher reclusa pelo moralismo, Macabéa é o retrato da mulher sufocada pela miséria. O que elas têm em comum? Frutos de sociedades que as ensinaram a desaparecer. Entre o amor romântico e o amor inexistente, continua o mesmo silêncio: o da mulher que não é dona do seu próprio destino.
